Muita gente me pergunta se massagem tem base científica ou se serve só pra relaxar. Existe pesquisa séria sobre massagem, com resultados bons em algumas áreas e ainda fracos em outras. Neste texto eu explico o que é a massoterapia, o que os principais centros de pesquisa do mundo encontraram e quando vale procurar.
O que entra na massoterapia
Massoterapia é o nome do conjunto de técnicas manuais aplicadas por quem tem formação na área. Cada técnica tem um ritmo, uma pressão e um objetivo, e a escolha depende do que você sente naquele dia.
- Massagem relaxante, também chamada de sueca, com movimentos longos e pressão leve a moderada, pra desacelerar.
- Massagem terapêutica, com pressão mais firme nos pontos que travam, como ombro, pescoço e lombar.
- Shiatsu, técnica japonesa feita com pressão dos dedos em pontos ao longo do corpo.
- Tuiná, massagem chinesa com amassamentos e pressões ritmadas.
- Reflexologia podal, com pressão em pontos dos pés.
- Ventosaterapia, com ventosas que puxam a pele e a musculatura.
- Quick massage, feita de roupa, numa cadeira própria, nas costas, no pescoço e nos braços.
Numa mesma sessão eu posso combinar mais de uma técnica. Quem chega com o ombro travado e a cabeça cheia, por exemplo, pode receber a terapêutica no ombro e a relaxante no resto do corpo.
O que a pesquisa mostra sobre dor
A Cochrane, rede internacional que reúne e avalia os estudos de saúde do mundo inteiro, revisou em 2015 o uso da massagem na dor lombar. Foram 25 ensaios clínicos, com 3.096 pessoas. A massagem aliviou a dor no curto prazo, e na maioria das comparações esse efeito não se manteve no longo prazo. Os autores classificaram a evidência como de certeza baixa a muito baixa.
O mesmo trabalho trouxe uma informação importante sobre segurança. Nenhum dos estudos registrou efeito adverso grave. O efeito indesejado mais comum foi um aumento passageiro da dor, relatado por uma parte dos participantes.
O NCCIH, o centro de pesquisa em práticas integrativas do governo dos Estados Unidos, chega a uma leitura parecida. Segundo o centro, a massagem pode ajudar na dor de pescoço e de ombro por um tempo curto, a evidência na lombar ainda é fraca, e o risco de efeitos ruins parece baixo.
Na prática, isso quer dizer que a massagem alivia, e o alívio tende a durar mais quando vem junto com movimento, exercício e ajustes na rotina.
O que a pesquisa mostra sobre estresse e ansiedade
Aqui os resultados são mais animadores. Uma análise publicada em 2004 na Psychological Bulletin, revista da Associação Americana de Psicologia, reuniu 37 estudos com sorteio entre os grupos. Uma única sessão de massagem reduziu a ansiedade do momento, a pressão arterial e os batimentos do coração. Uma série de sessões reduziu a ansiedade do dia a dia e os sintomas de depressão, e esses foram os maiores efeitos encontrados.
No Brasil, pesquisadores da Escola de Enfermagem da USP testaram a massagem num ambulatório de práticas integrativas. O estudo, publicado em 2020, dividiu 122 pessoas em grupos por sorteio. Quem recebeu massagem seguida de repouso teve redução no nível de estresse e melhora na qualidade de vida, comparado ao grupo que não recebeu nada.
Na maca eu vejo isso com frequência. Tem gente que chega com a cabeça a mil e sai falando mais devagar, com a respiração mais solta. A massagem entra como apoio, e quem tem ansiedade ou depressão em tratamento continua com o acompanhamento do médico ou do psicólogo.
Reflexologia e ventosaterapia, o que se sabe
A reflexologia podal é uma das técnicas mais procuradas e uma das que têm pesquisa mais fraca. Uma revisão de 2011, liderada pelo pesquisador Edzard Ernst, do Reino Unido, analisou 23 ensaios clínicos. A conclusão foi que a melhor evidência disponível não mostra de forma convincente que a reflexologia trate alguma doença. Eu uso a reflexologia pelo relaxamento e pelo conforto nos pés, e deixo isso claro pra quem procura.
Na ventosaterapia, uma revisão publicada em 2018 no BMJ Open, revista do grupo do British Medical Journal, reuniu 18 ensaios sobre dor no pescoço. A ventosa reduziu a dor em comparação com ficar sem tratamento, e os efeitos adversos relatados foram leves e passageiros. Os autores avisam que a qualidade dos estudos é baixa e que ainda não dá pra tirar conclusão definitiva.
A ventosa costuma deixar marcas arroxeadas e redondas na pele, que somem em alguns dias. Eu aviso antes de começar, pra você decidir com calma.
Quando vale procurar
- Quando o pescoço e os ombros vivem tensos, principalmente pra quem trabalha sentado.
- Quando a lombar incomoda depois de um dia inteiro de pé ou na cadeira.
- Quando o cansaço não passa nem depois do fim de semana.
- Quando a cabeça está cheia e o corpo responde com tensão no ombro e na mandíbula.
- Quando você quer um momento seu, sem celular e sem pressa.
Dúvidas comuns sobre massoterapia
Precisa de pedido médico pra fazer massagem? Na maioria dos casos, não precisa. Quem está em tratamento de alguma doença, tem histórico de trombose, está na gestação ou passou por cirurgia recente deve conversar com o médico antes e me contar o que ele orientou.
Com que frequência fazer? Depende do objetivo. Pra cuidar do estresse, muita gente faz uma vez por semana ou a cada quinze dias. Pra dor que já dura meses, sessões mais próximas no começo costumam ajudar mais, e depois dá pra espaçar. Na análise sobre ansiedade que eu citei acima, os maiores efeitos apareceram depois de uma série de sessões.
Massoterapia ajuda a emagrecer? Eu não trabalho com massagem modeladora nem com drenagem, e as técnicas que eu uso cuidam da musculatura e da tensão. Pra perda de peso, o caminho é conversar com médico e nutricionista.
Qual a diferença pra fisioterapia? A fisioterapia é uma graduação da área da saúde que avalia o movimento, trata lesões e faz reabilitação. A massoterapia cuida da musculatura com técnicas manuais e pode caminhar junto com a fisioterapia, principalmente na dor que volta sempre.
Quando o médico vem primeiro
A massoterapia ajuda no bem-estar e não substitui o acompanhamento médico. Se a dor é forte, recente ou vem com formigamento, febre ou outros sintomas, o primeiro passo é o médico. O NCCIH também orienta a não usar a massagem pra adiar uma consulta e a conversar com o médico antes em casos como histórico de trombose.
Na primeira conversa eu pergunto sobre cirurgias, remédios e doenças em tratamento, justamente pra saber quando a massagem precisa ser adaptada ou adiada.
Como é a primeira sessão comigo
A gente conversa antes sobre o que você sente e a sua rotina. Com isso eu escolho a técnica e a pressão, e durante a sessão eu pergunto se a pressão está boa. A sessão dura de 30 minutos a 1 hora.
Atendo no Batel, em Curitiba, no meu espaço em São José dos Pinhais e a domicílio, em casa ou no hotel. Me chama no WhatsApp pra marcar ou tirar uma dúvida.
Referências
As informações deste artigo vêm de estudos e documentos publicados nas fontes abaixo. Cada link abre o original.
- Furlan AD, Giraldo M, Baskwill A, Irvin E, Imamura M (2015). Massage for low-back painCochrane Database of Systematic Reviews
- National Center for Complementary and Integrative Health, NIH (2019). Massage Therapy. What You Need To KnowNCCIH
- Moyer CA, Rounds J, Hannum JW (2004). A meta-analysis of massage therapy researchPsychological Bulletin
- Kurebayashi LFS, Gnatta JR, Kuba G e colegas (2020). Massage and Reiki to reduce stress and improve quality of life. A randomized clinical trialRevista da Escola de Enfermagem da USP, no SciELO
- Ernst E, Posadzki P, Lee MS (2011). Reflexology. An update of a systematic review of randomised clinical trialsMaturitas
- Kim S, Lee SH, Kim MR e colegas (2018). Is cupping therapy effective in patients with neck pain? A systematic review and meta-analysisBMJ Open
Leia também
Conhece alguém que vai gostar de ler isso?
Quem escreveu
Jacqueline
Sou massoterapeuta formada e atendo no Batel, em Curitiba, no meu espaço em São José dos Pinhais e a domicílio. Aqui no blog eu respondo as dúvidas que mais chegam no WhatsApp e na maca.


